Terça-feira, 9 de Novembro de 2004

Loteamentos embaralhados

A freguesia de Stª Cruz/Trindade é a que em Chaves sofre mais os estropícios da sub-urbanidade. Os tais estropícios, deveriam ser combatidos a bem dos residentes. Neste sentido, a anterior gestão da autarquia, decidiu, com o intuito de os combater, construir na freguesia uma Escola nova. Para o efeito, pediu um empréstimo a 20 anos para adquirir o terreno e negociou com a administração central a inclusão da empreitada da Escola no PIDAC. Tudo caminhava no sentido da obre se concretizar. Eis que estão, a câmara muda de mãos, e tudo se complica. O terreno, que apenas podia ser vendido pela cooperativa se a sua utilização posterior fosse para interesse público, após a aquisição em definitivo pela actual gestão camarária, viu-se, em importante parte, destinado à construção de prédios para habitação.


Como foi isso possível?


Não obedeceu o pedido de empréstimo às regras em uso pelo tribunal de contas?


Como pode ser vendido um terreno que foi comprado com um empréstimo a vinte anos e que não foi ser pago?


Os próximos edis da autarquia vão estar a pagar um terreno que já não é seu e cujo proveito da venda já foi gasto. Será isto razoável?


Se o terreno não fazia falta na totalidade para que se comprou tanta área?


O dinheiro não faria falta para outras coisas?


Se a Câmara compra terrenos para um fim público, como acabam por ir parar à esfera privada?


Não é esta uma forma ardilosa de gastar hoje o dinheiro de amanha?


É esta a boa gestão do dinheiro público?


Uma freguesia já muito afectada pelos problemas da sub-urbanidade, não tem por exemplo um cento cívico, é assim que os vê resolvidos?


E a venda em grosso do terreno (de elevado valor) não limita o n.º de compradores interessados, levando o terreno a parar nas mãos de empreiteiros de grande dimensão?


Não diminuiu assim o valor que a autarquia pensa arrecadar?


Por fim, refira-se que neste negócio há claras parecenças com um outro, ocorrido há anos, quando o terreno da praça (mercado) foi trocado pela construção da nova praça. Todos reconhecem agora o desacerto da decisão. O erro repete-se, pois a venda do terreno vai, pelos vistos, ser trocada pela construção de um pavilhão desportivo para a Escola (que não está ainda construída, nem vem inscrita em PIDAC). Para além do mais, a construção de escolas é da responsabilidade da Administração central, e, por isso, a autarquia já faz muito em dar o terreno, não tem nada que construir o pavilhão da Escola. Se o faz é porque foi incapaz de negociar com o governo com a força que se exige.


Assim não. (voltaremos à liça)

publicado por chaveslivre às 19:16
link do post | comentar | favorito
|
8 comentários:
De Anónimo a 15 de Novembro de 2004 às 15:58
Eu não compreendo como é possivel num estado de direito haver uma Câmara que pede um empréstimo a longo prazo para adquirir um terreno para a construção de uma escola e depois coloca-o na especulação imobiliária.
Para esta gente pelo que estou a ver vale tudo.Pedro Silva
</a>
(mailto:p@sapo.pt)
De Anónimo a 12 de Novembro de 2004 às 21:10
A trapalhada em que se tem traduzido o desenvolvimento deste dossier conheceu um dos seus momentos mais lamentáveis quando a Câmara não aprovou o projecto de construção dos novos armazéns da Cooperativa Agrícola Norte Transmontano.
Tal pojecto visava a edificação desses armazéns no terreno que a própria Câmara havia comprado e, posteriormente, cedido à Cooperativa no âmbito da aquisição feita pela autarquia.
Como foi isto possível? A Câmara enganou-se e suspendeu o PDM numa área vastíssima, com o voto contra dos veredaores do P.S., na qual se incluiu irresponsavelmente aquele terreno, o que vem impossibilitando, desde há muitos meses, e vai continuar a encravar por mais uns tempos, a aprovação do projecto.
Entretanto, a Escola que espere, a Cooperativa que espere, Santa Cruz que espere, avancem - isso sim - os projectos imobiliários.Luís Fontes
</a>
(mailto:areias.fontes@clix.pt)
De Anónimo a 12 de Novembro de 2004 às 12:54
Sobre a Fundação Nadir Afonso, responda o Presidente da Câmara a estas perguntas:
Quantas centenas de milhar de euros a Câmara já pagou e vai pagar só pelo projecto ?
Porque é que não houve concurso público para a sua elaboração e tudo se tratou de um arranjinho ?
Quanto custa à Câmara cada vez que o projectista entende vir a Chaves para alegadamente tratar de assuntos relacionados com o projecto ?Nelinho
</a>
(mailto:nelinho@hotmail.com)
De Anónimo a 12 de Novembro de 2004 às 11:25
Ooops. Este comentário era para o assunto anterior - "Não acautelar o futuro". Se fosse possível agradecia que o administrador do site movesse o meu comentário para o referido assunto.Geraldinho
</a>
(mailto:filipe_geraldes@portugalmail.pt)
De Anónimo a 12 de Novembro de 2004 às 11:20
Realmente, essa da Fundação Nadir Afonso, só pode ser demagogia pura. Quem não consegue arranjar dinheiro para manter no calendário a Feira de Artesanato do Jardim Público (que era um sucesso tanto entre os flavienses e espanhois como para os próprios artesãos), consegue-o para construir a fundação? Mas onde se pode ver claramente que não passa de demagogia (barata por sinal) é a escolha do local para a dita fundação - junto à ponte de São Roque. A menos que esteja previsto ser uma fundação-tanque, seria preciso uma quantia exorbitante só para evitar que a água nas cheias não entrasse no edificio e danificasse as obras do maior artista flaviense de todos os tempos. A ideia da sua construção é excelente mas a posta em prática(?) do projecto é ao nivel do que este executivo infelizmente nos habituou - péssima. A cidade não precisa de ideias mirabolantes, mas sim de projectos sérios e viáveis (principalmente a nivel cultural) que façam com que a população se fixe nesta maravilhosa cidade.Geraldinho
</a>
(mailto:filipe_geraldes@portugalmail.pt)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2004 às 14:33
Bem, pelo tom da pergunta, queres ver que é de algúem que pertence à junta? A Mesma que está bo bar do GDC junto do gabinete da direcção? Era o cúmulo. Não acredito. Bem, pelo menos não tÊm de mentir pois as vergonhas vêm ao de cima, sim são como o azeitechaves2003
</a>
(mailto:chaves2003@sapo.pt)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2004 às 01:21
até aposto q quem vai comprar esses lotes de terreno q sobram da escola vai ser um empreiteiro q ja domina a zona, talvez em sociedade com o presidente da junta de sta cruz/trindade.

Já agora: de quem é a loja indigna onde a junta de sta cruz instalou a sua sede????

dão-se alvissaras a quem descobrir... melkisdec
</a>
(mailto:melkis@mal.pt)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2004 às 01:03
oposicão é isto mesmo.
força!mostra aqui no blog o que na camara querem esconder.
a1323
(http://bcac3869.blogs.sapo.pt)
(mailto:a1323@sapo.pt)

Comentar post